segunda-feira, 20 de setembro de 2010

ELE FOI UM CACHORRINHO FELIZ

Oi,

eu hoje recebi a noticia que, confesso, esperava, mas não queria receber.

Não consigo escrever, e nada mais justo do que mostrar o quanto minha mãe, irmã e cunhado foram importantes pra ele. E ela estava lá.


Oi Digo!
Bom, muito ruim escrever esse e-mail, mas quero ser eu a te contar.
Estamos muito tristes aqui, pois o Zezinho morreu hoje de manhã. Ao meio dia em ponto...
Não queria te contar, mas não sabia como te esconder isso até que tu voltasse. E é melhor eu falar do que ficarmos mentindo.
Nos últimos tempos, ele estava bem, feliz, mais mimado do que nunca pela mãe. Tava muuuito cheio de regalias. Ainda mais porque tava ceguinho.
O que aconteceu foi que quinta feira de manhã já começou a passar mal (ficou sem comer, gemendo de dorzinha, e só deitado), e imediatamente já levamos pro veterinário. Tomou muitos remédios, várias injeções, mas não reagia. Sábado foi novamente à clínica, ficou lá, foi mais um monte de injeções, remédios para tomar em casa e observações. O diagnóstico de 3 veterinários é o mesmo: uma virose qualquer ou intoxicação sem causa específica, que para um cão de 12 anos e cego é perigosa. Nada de muito absurdo, é mais problema da idade mesmo, pois todos atestaram que ele estava saudável, com pêlo bom, e não apresentava febre em nenhum dia, nem infecções no corpo e órgãos.
Em nenhum momento nesses 5 dias ele chorou ou reclamou. Só ficava gemendo baixinho de dor, andava um pouco e deitava novamente. Ficou no colo todos os dias, e a mãe está há várias noites sem dormir. Eu também estou lá várias horas por dia, pois eu que dava os remédios na boca, de hora em hora.
Ontem ele parecia melhor. Mas hoje amanheceu ruim novamente, levamos bem cedo a um veterinário bem bom e recomendado, e ele ficou lá internado até o meio dia, tomando soro e mais remédios na veia. O veterinário ligou para irmos buscá-lo (acho que ele já sabia o que aconteceria).
Ele veio bem no colo da mãe no carro até em casa, e pela primeira vez em cinco dias se animou quando chegamos no portão, levantando do colo. Logo que botamos o pé dentro de casa, ele ainda no colo da mãe começou a se debater pra sair do colo. E daí ele deu um uivo alto e a mãe começou a berrar desesperada e colocou ele no sofá (ela não queria que ele morresse no colo dela - ela repetia todo dia isso). Eu fiquei ali e vi ele ter (acho) uma parada cardíaca. Ele morreu na minha mão, e eu sacodi ele, bai no coração, mas não adiantou.
Ele descansou ali, no sofá da sala, de ladinho, do jeito que ele sempre dormia. Até com a cabeça no travesseiro ele ficou. Parecia que tava dormindo, fazendo o nana dele.
Meu, tô chorando aqui escrevendo isso, e sei que tu também.
Mas por pior que tenha sido tudo, foi uma morte bonita e calma. Ele não sofreu muito, e só por não ter sido atropelado, ou ter coisas como sangue saindo dele ou diarréia, etc, é muito bom.
Mas foi incrível ele ter morrido só quando chegamos em casa. Foi coisa de filme. Só quando entramos em casa ele "decidiu" morrer.
Chamei o Aurélio e ele cavou um buraco bem quadradinho, e enterramos ele. A mãe não quis ver, só chorava desesperada.
Colocamos ele de ladinho, e cobri ele com a cobertinha dele até. Fiz a última cabaninha dele e ele foi dormir pra sempre.
Ficamos lá na mãe até agora, e ela tá arrasada. Só fica repetindo que tu queria ver ele quando voltasse, e que não sabe o que fazer sem o Zé. Meu, uma droga. Vou a semana toda dar apoio pra ela, que tá triste e muito cansadona dos últimos dias. Não trabalhou, não saiu de casa, só cuidou dele, tadinho.
Mas, sabíamos que isso ia acontecer um dia. E eu tô muito triste com tudo, mas sinceramente muito feliz por ele ter sido tão forte durante todos esses anos e ter morrido tão calmamente. E afinal, ser criado nas condições da família laemmle, é ser muito guerreiro, não é? Como o Adi diz, quando ele tiver filho vai deixar 3 meses na casa da mãe. Se sobreviver, é forte e tá pronto pro mundo.
Mas também estou feliz e tranquila por termos feito tudo que podíamos. A mãe não mediu cuidados, nem esforços, nem dinheiro pra salvar ele. Era pra ser a hora mesmo, pois ele estava velho. E convenhamos que, depois de dois atropelamentos, ginástica do opa, quedas da escada na praia, e alimentação baseada em pão com açúcar, pé de moleque, picolé e osso de galinha, ele era forte e viveu pra caramba.
Ah, e os veterinários falaram que era pra ele ter ficado vivo só até sábado ou no máximo domingo de manhã, pela idade e fraco do jeito que estava. E ficaram até assustados dele ter vivido tanto.
Enfim, foi isso que aconteceu, uma tristeza o dia de hoje.
Bom, fique bem por aí, chore bastante, e dê tchau pro Zezinho. Nós demos o teu tchau pra ele.
Beijos
(ah, deixa eu dizer: sem condições pra tua idéia de empalhar ele, tá? A mãe foi totalmente contra, e nem quis saber do assunto. E nem deixou que a Engepasa viesse buscar ele. Quis enterrar no terreno de casa, e eu também. Ela não quer lembranças dele, tá arrasada. E como ele é o "filho" dela e quem tava mais com ele nos últimos tempos, tivemos que respeitar)

4 comentários:

Pri disse...

Rodrigo querido,

Fiquei pensando no que acontecera para você dizer que também estava péssimo. Tão logo li o blog... entendi.
Não deu tempo de perguntar, você ficou off. E eu, preocupada demais com meus problemas, não parava de falar.

Desculpa pela atitude egoísta, imagino o quanto estás triste. Quisera eu poder dar um abraço apertado e dizer o mesmo: Everything´s gonna be Ok.

Eu sinto muito pelo Zezinho e espero que você fique melhor. Tente guardar as boas lembranças, que devem ser muitas, porque como você escreveu: ele foi um cachorrinho feliz.

Qualquer coisa estou aqui... meio perdida, mas por aqui.

Beijo,
Pri

Michele disse...

Oie...impossível não chorar com o email trágico da Mog..impossível não lembrar dos momentos em que eu estava com vc, e o Zezinho, é logico, estava presente...

Impossível não se emocionar, entristecer, lamentar...

(Sem palavras)

Beijos

eliasufop disse...

Cara,
Se vc me contasse e eu não lesse juro pra vc que não acreditaria.
Abraço brother!!!

eliasufop disse...

Cara se vc me contasse eu nao acreditaria.
Abraço